Essa semana vai fazer um mês que minha avó teve um derrame. Estava no hospital até ontem.
Está bem... quer dizer, alguns problemas persistem em atrapalhar como pressão alta e diabetes. Fica sonolenta quase o tempo todo e está mais agressiva, brigou e mordeu alguns enfermeiros. Mas já está em casa hoje, ainda sonolenta, talvez devido a tantos remédios que toma.
O dia que fui visitá-la sai de lá meio chateada, não exatamente por ver o estado dela, mas por ver o estado que todos os pacientes são tratados. Era um hospital público, num quarto pequeno com mais quatro pacientes e seus respectivos acompanhates. A primeira coisa que notei foi que quase não há privacidade, o jeito foi fazer amizades já que tá todo mundo na mesma situação, assim fica menos constrangedor.
Pra felicidade da minha tia, a companhia dela no hospital e que não aguentava mais ficar lá, minha avó voltou pra casa. Só está dando mais trabalho porque não está andando e mal fica sentada.
Apesar disso, a característica mais perceptível dela, quando não está dormindo, é a perda de memória, cada dia pior. E isso a gente sabe que não tem como curar...
Tudo isso me fez ver como a saúde é importante e frágil. Tudo bem que ela não se preocupou em fazer atividades físicas, nem intelectuais, como passar dos anos. Mas, de uma hora pra outra, tudo fica fora das nossas mãos e a gente mal sabe o que pode fazer pra ajudar. Vejo o lado do hospital, eles ficam só tentando tratar o mal que cada um produziu a vida toda.
De qualquer forma, minha avó tá se recuperando do derrame, está sendo medicada e vai fazer fisioterapia. Mas ela já perdeu a personalidade há algum tempo, não é mais a mesma, e isso não tem remédio que cure, a memória levou embora.